quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos..."

Eu não sei dizer exatamente quando ele a conquistou. Pra falar a verdade, tinham uma guerra não declarada, onde panelinha e frigideira disputavam a liderança de uma oitava série nada convencional. De um lado, uma garota perdida, que se encontrou do outro lado, o do garoto mais inteligente que ela já conhecera. Foi quando panelinha e frigideira se uniram. Nasceu uma flor, um jardim, uma amizade. Ela não tinha por perto os pais, a família. Ele emprestou seus pais, suas irmãs, seu coração. Ele estava do lado dela no aniversário que a família não viu, nas lágrimas que ninguém ouviu, nos risos que só ele riu. Assistiram juntos um avião atingir as torres gêmeas, na mesa da lanchonete mais badalada da cidade. No aniversário dele, foram ao shopping com amigos, e o que poderia ser um dia comum, se tornou um dia extraordinário. Riram juntos dos apelidos dados aos colegas, assistiram filmes que os outros tinham medo, tiraram as melhores notas da sala, ou melhor, ele tirou, as medalhas de ouro dela nunca se compararam as de diamante que somente ele conquistou. Ele mostrou pra ela o quão importante era pra ele sua religião e foi quando ela acreditou. Nele, nela, no futuro.


Aos 13 anos ela experimentava pela primeira vez a amizade. O pequeno gênio havia ensinado aquela garota a entender Platão: “A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro. “

Numa tarde de verão ela se foi... Levou com ela a foto do aniversário, os bilhetinhos trocados na sala de aula, o perfume que ganhou dele no dia do amigo e a lembrança do ultimo abraço...

Obrigada por ter feito parte da história da minha vida, essa vida recíproca que só te trará coisas boas. A você, eu desejo o melhor do mundo!

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